
Calibração em laboratório ou em campo: qual opção faz mais sentido para sua operação?
Entenda quando enviar os instrumentos para um laboratório de calibração e quando o atendimento in loco pode reduzir prazo, logística e impacto na operação
Uma dúvida comum na hora de planejar a calibração de instrumentos é decidir onde o serviço deve ser realizado: no laboratório de metrologia ou diretamente nas instalações da empresa?
As duas alternativas possuem vantagens. A melhor escolha depende principalmente da quantidade de instrumentos, da facilidade de remoção, do prazo disponível, dos custos logísticos e do impacto que esses equipamentos têm na operação.
Em muitos casos, inclusive, a solução mais eficiente é combinar as duas modalidades.
Quando a calibração em laboratório é mais indicada?
Enviar os instrumentos para um laboratório de calibração costuma ser uma boa alternativa quando os equipamentos são fáceis de remover e podem permanecer algum tempo fora da operação.
Como o laboratório já possui toda a estrutura, padrões e condições necessárias para execução dos serviços, normalmente é possível obter um custo menor por instrumento.
Essa opção costuma fazer sentido principalmente quando:
- Há poucos instrumentos para calibrar;
- Os equipamentos são de fácil remoção e transporte;
- A operação possui instrumentos reservas;
- Não existe uma grande urgência para devolução;
- O custo de transporte é baixo em relação ao valor da mobilização de uma equipe.
Porém, o valor da calibração não deve ser analisado isoladamente.
É importante considerar também o frete de ida e volta e, principalmente, quanto tempo o equipamento permanecerá fora da planta.
Para instrumentos críticos, alguns dias de indisponibilidade podem representar um impacto maior do que a diferença de preço entre uma calibração no laboratório e um atendimento em campo.
Quando a calibração em campo faz mais sentido?
Na calibração em campo ou in loco, a equipe técnica e os padrões de referência são mobilizados até as instalações do cliente.
Essa modalidade é especialmente interessante quando existem muitos instrumentos, equipamentos difíceis de retirar ou situações em que a empresa precisa reduzir ao máximo o tempo de indisponibilidade.
Também é uma alternativa importante durante paradas de fábrica, nas quais diversos instrumentos precisam ser calibrados dentro de uma janela muito curta.
Embora exista um custo de mobilização, a calibração em campo pode reduzir outras despesas e impactos, como transporte, embalagem, movimentação e tempo dos equipamentos fora da operação.
Quanto maior o volume, mais interessante pode ser o atendimento em campo
A quantidade de instrumentos é um dos fatores que mais influenciam essa decisão.
Mobilizar técnicos, padrões e estrutura para calibrar apenas alguns equipamentos pode tornar o custo por instrumento elevado.
Quando dezenas ou centenas de equipamentos são reunidos em uma única mobilização, esse custo passa a ser dividido entre um volume maior de serviços.
Por isso, antes de contratar uma calibração in loco, vale verificar se existem instrumentos próximos do vencimento em outras áreas da empresa.
Agrupar instrumentos de elétrica, instrumentação, manutenção, produção e outras áreas pode tornar o atendimento em campo muito mais competitivo.
Instrumentos difíceis de remover favorecem a calibração in loco
Alguns instrumentos podem ser removidos facilmente e enviados ao laboratório.
Outros fazem parte de sistemas maiores, possuem instalação complexa ou simplesmente não podem permanecer indisponíveis por longos períodos.
Nessas situações, realizar a calibração diretamente na planta reduz desmontagens, transporte e intervenções desnecessárias.
Além da economia de tempo, isso diminui a movimentação dos equipamentos e os riscos associados à retirada e reinstalação.
O prazo da operação deve fazer parte da decisão
Durante uma rotina normal de manutenção, a empresa pode conseguir trabalhar com prazos maiores.
Em uma parada industrial, o cenário é diferente.
Se determinado instrumento precisa estar liberado para permitir a partida de um equipamento ou o retorno de uma área produtiva, o prazo da calibração passa a ser crítico.
Nesse contexto, deslocar o instrumento para um laboratório externo pode acrescentar etapas de transporte, recebimento e devolução.
O atendimento em campo permite que os instrumentos sejam liberados progressivamente e pode facilitar a integração do serviço com o cronograma da parada.
Portanto, a decisão não deve considerar somente quanto custa calibrar, mas também quanto custa esperar pelo equipamento calibrado.
E os custos de transporte?
O frete pode parecer pouco relevante quando analisamos apenas um instrumento.
Quando existem muitos equipamentos, principalmente instrumentos sensíveis ou pesados, o custo de transporte pode se tornar significativo.
Também devem ser considerados embalagem adequada, movimentação interna e possíveis riscos de avaria.
Na calibração em campo, boa parte dessa logística deixa de existir.
Por outro lado, haverá os custos relacionados à mobilização da equipe e dos padrões.
Por isso, cada situação deve ser analisada considerando o custo total, e não apenas o preço unitário da calibração.
Calibração de instrumentos ou da malha completa?
Outra vantagem do atendimento em campo é a possibilidade, quando tecnicamente aplicável, de verificar o instrumento dentro do próprio sistema em que ele opera.
Em alguns processos, analisar somente o instrumento isoladamente não permite identificar problemas existentes em outros componentes da malha de medição.
Dependendo do serviço, uma verificação mais ampla pode ajudar a identificar problemas relacionados a transmissores, indicadores, sinais, conexões e demais componentes.
A necessidade deve ser avaliada pela área técnica antes da contratação.
Qual é o papel do laboratório móvel?
O laboratório móvel de calibração leva parte da estrutura de um laboratório diretamente para as instalações do cliente.
Essa modalidade permite executar diversos serviços próximos aos equipamentos da planta, reduzindo deslocamentos e agilizando a liberação dos instrumentos.
É especialmente interessante para empresas com grande parque de instrumentos, unidades afastadas dos grandes centros ou paradas programadas com grande volume de calibrações.
Laboratório fixo ou campo: como decidir?
Não existe uma única resposta válida para todas as empresas.
De forma geral:
O laboratório fixo tende a ser mais interessante quando há poucos instrumentos, facilidade de transporte e disponibilidade para permanecer alguns dias sem os equipamentos.
O atendimento em campo tende a ser mais interessante quando há grande volume, equipamentos difíceis de remover, prazo reduzido ou alto impacto da indisponibilidade.
Em muitas empresas, a melhor estratégia é utilizar as duas alternativas: enviar alguns instrumentos ao laboratório e realizar os equipamentos mais críticos diretamente na planta.
Perguntas frequentes
Calibração em campo é mais cara?
Existe um custo de mobilização, portanto em pequenos volumes o preço por instrumento pode ser maior. Entretanto, quando há muitos equipamentos, o custo da mobilização é diluído e o atendimento pode se tornar bastante competitivo.
Quando vale a pena utilizar um laboratório móvel?
Principalmente quando existe um volume significativo de instrumentos, necessidade de reduzir a indisponibilidade ou dificuldade para transportar os equipamentos.
Posso calibrar todos os instrumentos dentro da empresa?
Depende do tipo de instrumento, da faixa de medição, dos padrões necessários e das condições disponíveis para execução do serviço. É necessário avaliar o escopo antes da mobilização.
Conclusão
A decisão entre calibração em laboratório ou calibração em campo deve considerar muito mais do que o preço unitário do serviço.
Quantidade de instrumentos, prazo, logística, criticidade e tempo de indisponibilidade precisam entrar na comparação.
Quando essa análise é feita corretamente, a empresa consegue reduzir custos sem comprometer a disponibilidade dos equipamentos ou o cronograma da operação.
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